Fernanraiá: barraca da Casa Acolher ajuda a manter atendimento a crianças e adolescentes
ESPECIAL
Neste ano, a barraca da Casa Acolher terá um cardápio inspirado no milho e seus derivados. Entre as opções estarão milho gourmet com queijo e bacon, milho cozido tradicional, curau, bolos, a famosa quenga — preparada com angu, frango desfiado e queijo — além de diversas bebidas quentes e frias para aquecer as noites de inverno. Toda a renda arrecadada contribuirá para a manutenção dos serviços prestados pela instituição, que acolhe crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
HISTÓRIA
Sofrimento e esperança caminham lado a lado na vida das crianças e adolescentes atendidos pela Casa Acolher de Fernandópolis. São jovens que, do nascimento aos 18 anos, carregam marcas profundas do abandono, da negligência e, muitas vezes, da violência doméstica. Histórias de dor que exigem um trabalho sério e humanizado de uma equipe multidisciplinar, empenhada em minimizar os traumas e impedir que essas experiências deixem consequências irreversíveis para o futuro.
Todas as crianças e adolescentes chegam à instituição por encaminhamento do Conselho Tutelar, do Ministério Público ou da Justiça, após a constatação de situações de abandono, maus-tratos ou violência. Atualmente, 13 jovens estão sob os cuidados da coordenadora Silerlene Gasques Contin e sua equipe.
O trabalho é realizado desde junho de 2024 em uma casa estruturada para oferecer acolhimento e segurança. O espaço conta com dormitórios equipados com camas e beliches, cozinha, sala de informática, sala de televisão e ambientes destinados ao convívio e ao desenvolvimento dos acolhidos.
Pelos corredores da Casa Acolher circulam crianças pequenas, adolescentes e também jovens mães. Entre elas, meninas de 15 e 16 anos que foram expulsas de casa após uma gravidez precoce, sem o apoio da família. Enquanto cuidam dos filhos, essas adolescentes também frequentam a escola, participam de cursos de informática e de capacitação profissional, buscando construir um novo projeto de vida.
Segundo Silerlene, desde o momento em que um jovem é acolhido, o principal objetivo da equipe é amenizar seu sofrimento e, sempre que possível, promover a reintegração familiar em um curto espaço de tempo. A prioridade é o retorno ao convívio com familiares consanguíneos que tenham condições de oferecer um ambiente seguro e acolhedor.
Essa política tem apresentado resultados positivos. De acordo com a Casa Acolher, cerca de 70% dos jovens conseguem retornar ao convívio familiar. Em alguns casos, eles passam a viver com parentes residentes em estados distantes, como Pernambuco e Sergipe.
A instituição é responsável pelo acolhimento até que os adolescentes completem 18 anos. Após a maioridade, eles deixam de ser atendidos pela Casa, o que reforça a importância da reintegração familiar e da construção de uma rede de apoio antes desse momento.
Manter esse trabalho, no entanto, exige recursos significativos. A Casa Acolher é mantida por meio de uma parceria com a Prefeitura de Fernandópolis, além de doações da comunidade e da realização de eventos beneficentes. Alimentos, roupas, calçados, produtos de higiene e materiais de limpeza chegam constantemente à instituição. As roupas de bebê, por exemplo, são reaproveitadas: quando uma criança cresce, as peças ficam disponíveis para atender a próxima que chegar.