Barraca dos Sonhadores terá churros, crepes e cocadas

Barraca dos Sonhadores terá churros, crepes e cocadas

ESPECIAL

  

No Fernanraiá deste ano, a barraca dos Sonhadores promete adoçar o público com opções deliciosas de churros, crepes, a tradicional maçã do amor, bebidas variadas e cocadas artesanais nos sabores queimada, branca e com leite condensado.

 

HISTÓRIA

 

O casal Marcos e Isa Vilela aguardava com ansiedade e expectativa a chegada do filho Guilherme. O nascimento do bebê trouxe uma imensa felicidade, mas, logo em seguida, uma profunda preocupação: a criança nasceu com atresia de esôfago, uma malformação congênita rara em que o órgão não se forma por inteiro.

Apenas uma cirurgia complexa poderia resolver o problema. A princípio, Marcos Vilela — um homem de muita fé — tentou buscar atendimento na rede médica particular, mas os custos eram inviáveis para a realidade da família.

Ele bateu em diversas portas até que um médico, sensibilizado com a situação, conseguiu encaminhar o caso para o Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O pequeno Guilherme ficou internado no HB durante um ano e três meses. Sem condições financeiras para se manter na cidade durante esse longo período, Marcos enfrentou uma rotina extrema de sacrifícios: dormia noites e mais noites dentro de um Fusca ou nas calçadas ao lado de moradores de rua. Durante o dia, entrava para visitar e apoiar o filho.

Ele recorda que, para se alimentar, dependia da generosidade de entidades de assistência social e de comerciantes que mantinham barracas em frente ao hospital. Foi justamente nas noites frias das ruas de Rio Preto que Marcos fez um propósito com Deus: se a saúde de seu filho fosse restabelecida, ele dedicaria sua vida a um trabalho social voltado aos mais carentes, especialmente às crianças.

A prece foi ouvida. Guilherme passou pela cirurgia em que os médicos confeccionaram um tubo gástrico para interligar o esôfago ao estômago. Com o sucesso do procedimento, a família finalmente pôde retornar para Fernandópolis. Chegou, então, a hora de cumprir a promessa. Sem recursos financeiros, o caminho foi pedir apoio.

Um dia, Marcos bateu à porta do juiz de Direito Evandro Pelarin para apresentar uma ideia batizada de "Projeto Sonhadores". Marcos relata que, de início, o magistrado levou um susto. Porém, à medida que a proposta era explicada, o juiz se interessou pela causa e decidiu apadrinhar formalmente a iniciativa.

Desde sua fundação, em 2001, os Sonhadores alçaram voo e transformaram a realidade local. Hoje, o projeto conta com uma bela sede própria no bairro Brasilândia, por onde passam mensalmente mais de mil pessoas, entre alunos, familiares e membros da comunidade.

No local, são oferecidas atividades diversas, como cursos de informática, aulas de violão, dança, jiu-jitsu, artes marciais e beach tênis, além de ações de convivência. Diariamente, 250 alunos frequentam o espaço, divididos em turnos das 8h30 às 11h30 e das 14h às 20h. Todos os assistidos recebem alimentação.

Dessas oficinas também nasceram uma fanfarra e uma talentosa orquestra de violeiros. Mais do que formar músicos e atletas, Marcos destaca que o principal objetivo da instituição é lapidar cidadãos. “Afastar os jovens dos perigos, antes que o mal os adote, nós os adotamos”, afirma o dirigente. E os frutos colhidos ao longo dessas duas décadas são gratificantes. Na área musical, o projeto já formou um maestro que hoje atua em Tatuí, além de vários músicos que tocam em igrejas e casamentos.

Dos bancos dos Sonhadores também já saíram médicos, advogados, engenheiros e diversos outros profissionais de sucesso. Para alcançar essas metas, a instituição não abre mão da disciplina e do bom rendimento escolar, acompanhando de perto o boletim e o dia a dia de cada aluno. “Longe das drogas e da vulnerabilidade social, todos têm um futuro brilhante”, reforça Marcos.

O sucesso do projeto é fruto de um esforço conjunto que une repasses do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Fernandópolis, doações da sociedade civil e a arrecadação de eventos próprios.